segunda-feira, 15 de junho de 2009

Se só, ou se mar


Caminho sem saber e sem pensar. Uma estrada esburacada, mas bonita. Canteiros de um verde escuro e galhinhos marrons, dando um tom meio sépia à paisagem. Era aí que tudo se passava. Tudo bem sereno. Não sabia se era só. Tinha ela bem do lado, mas às vezes ela ficava meio distante, como se não estivesse ali. Sensação de não saber mesmo. De não pensar. Mas já imerso em um turbilhão de pensamentos. Quando um sentia o calcanhar doer de tanto andar, paravam e sentavam na beira da estrada mesmo. Olhavam o nada acontecer e só sentiam. Sentiam o nada acontecer. Aconteciam, em meio ao nada. Queriam ver o mar. Mas o mar parecia estar longe dali. Não cabia azul àquelas cores. Então brincavam de imaginar o som das ondas. ‘Agora uma onda chegou e engoliu os meus pés. Eu estou deixando, estou gostando dessa sensação!’. Pareciam estar lá mesmo. Quase conseguiam pisar nas areias quentes de sol. Mas voltavam de repente a estrada esburacada, mas bonita. Canteiros de um verde escuro e galhinhos marrons, dando um tom meio sépia à paisagem. Em alguns buracos havia água. Era o máximo de mar que podiam ter. Não achavam lugar nenhum. Por que estavam ali? Pra onde iam? Não sabiam. Queriam ver o mar. Mas o mar parecia estar longe dali. Não cabia azul àquelas cores...

Larissa Fontes

'Mas eu conto com você,
pois enquanto eu não me resolver,
eu vou lá, eu vou lá, eu vou..'

Ao som de 'Teus olhos', da Ivete com o Camelo.

domingo, 14 de junho de 2009

Fui presenteada com o meu primeiro selo. Muito obrigada, Cássio. :*




Aqui vão as regras do jogo:

A pessoa selecionada deve fazer uma lista com oito coisas que gostaria de fazer antes de morrer.

É necessário que se faça uma postagem relacionando estas oito coisas e é necessário que a pessoa explique as regras do jogo.

Ao finalizar, devemos convidar oito parceiros de blogs.

Deixar um comentário para quem nos convidou.


Meus desejos:
- Construir um teatro;
- Ter uma livraria;
- Publicar um livro;
- Morar na europa;
- Viver de arte;
- Ser uma grande atriz;
- Ver uma montagem de 'Esperando Godot';
- Beber com a Narcisa Tamborideguy (HAHAHAH).


Meus indicados:

- 'Ouro de Mina', do meu querido amigo Vítor;
http://ouromina.blogspot.com/

- 'Momentos', de outra querida, Raquel;
http://minhaspequenaspalavras.blogspot.com/

- 'Minha vida em verso e prosa', de outro querido, Fábio;
http://minhavidaemversoeprosa.blogspot.com/

- 'Pés descalços', da sempre presente aqui, Tamires;
http://tamiresemcasa.blogspot.com/

- 'Em essência', da minha amiga linda, Iza;
http://umolhardebeleza.blogspot.com/

- 'Máquina de costura...', do Ricardo;
http://costurademaquina.blogspot.com/

- 'Prosopoética', do Guilherme;
http://prosopoetica.blogspot.com/

- 'Salve Jorge', desse inspirador poeta.
http://salvesalvejorge.blogspot.com/


É isso, beijo! :*

terça-feira, 2 de junho de 2009

Sobre medo de gatos, uma seta e um alvo


Ela nunca gostou de gatos. Tinha medo. Não achava-os confiáveis. 'Aqueles olhos de quem vai devorar alguém'. Como uns que ela conhecia. E sonhava com eles. Com os gatos, quero dizer. Um branco. Era um sítio, depois uma festa. Uma festa num sítio. Havia um gato branco e ele a olhava. Como se sentisse o medo que ela lhe devotava, parecia enfrentá-la, provocá-la. Ela, ingênua, não conseguia manter o olhar desviado, sempre o voltava para aquela direção. Aquilo bicho pequeno, de que forma a faria mal? 'Olha o teu tamanho, olha o dele!'. Ele ainda a enfrentava. Ela preferiu se retirar. Foi andando com uma angústia que sabia que o alimentava. Corria, subia no parquinho das crianças. Ele a seguia. Um medo agora a invadia. Pavor. Correu mais. Entrou num salão de festas, na primeira porta entrou. Antes de fechá-la, ele conseguiu entrar. Nesse pulo, acordou. Outra vez sonhou também. Uma vez era normal. Mas de novo aquele gato branco? Aquele olhar. Aqueles olhos parecidos com...
Tinha o todo. Não mais bastava só metade, como antes já tinha chegado a querer. Havia muito. Tinha tanto amor no peito, podia explodir a qualquer momento. Os labirintos não mais a faziam se perder. Tinha achado o alvo. Seu alvo. Era a seta, antes perdida, agora em seu alvo certo. Um no outro. Seta e o alvo. Juntos. Não existiam medos. Nem os gatos a afligiam mais. Quer dizer, não tenho certeza disso. Eles não são confiáveis, já disse isso. Aqueles olhos... As portas estão todas escancaradas. Outras fechadas, trancadas, lógico. Mas as que realmente podem suportar o peso do que pode passar por si, sim, essas estão abertas! E entra tanta coisa linda, leve. Uma, a mais clara de todas, dá para um caminho. Uma estrada. Flores nos canteiros. Onde vai dar? Não sei. 'Me diz qual é a graça de já saber o fim da estrada, quando se parte rumo ao nada?'.

Olhe pro infinito, tire os pés da terra, respire, perca o ar. Ame!

Larissa Fontes


Ao som de 'A Seta e o Alvo', do Paulinho Moska.

domingo, 24 de maio de 2009

Ela, alada


"Eu podia não falar nada. Podia ficar calada agora e guardar tudo isso pra mim. Mas não. Vou falar, e se puder, vou gritar. Não me importo com quanto tempo dure cada momento perto daquele cheiro, com o que estou ameaçada a dizer quando isso acontece."

Um silêncio doce invadia toda a sala. Sentia tudo tão doce de olhar, de tocar. Quase via flores passeando pelo vento como se fossem donas de asas. Ela própria se sentia alada. O que seria isso? Mas nem queria saber. Se se pusesse a divagar, aquela sensação poderia desaparecer e não queria sequer pensar nessa possibilidade. Olhava o mundo lá fora e via as pessoas flutuando de gentileza, se cumprimentavam com um sorriso a um simples passar umas pelas outras. E podiam até alimentar desses sorrisos! Os adeuses que se davam eram felizes como até-logos e tudo era amor. As cartas eram sempre mandadas. Abraçavam-se ao acordar. Os espelhos eram amigos. As vestimentas eram brancas de paz, esvoaçantes talvez, não sabia ao certo. Ela sorria. Flutuava. Seguia. Mais leve que o ar.

"Quero mais é que quando elas venham, não passem sequer de um segundo para sair de mim e cheguem até aqueles ouvidos em forma de qualquer coisa que o valha."

Larissa Fontes

sexta-feira, 15 de maio de 2009

Eles só queriam ir embora


Mais um dia de trabalho. Sol a pino em cabeças que tentam se proteger com chapéus e bonés. O mau cheiro castigando quase se torna imperceptível para aqueles homens. Alberto anda em meio a um verdadeiro mar de lixo. Parece um pouco perdido em seu mundo interior. Com um saco nas costas, junta coisas que lhe parecem úteis. Talvez um pedaço de carne que ele não tem como saber de que bicho é. É natural que não queria estar ali. Além da poluição atmosférica, uma poluição sonora hoje toma conta do lugar. Um caminhão chega para descarregar mais algumas toneladas de puro lixo. Um barulho imenso. Os urubus já fazem parte da paisagem. Sobrevoam as cabeças. Pousam tão perto deles, que podem os olhar nos olhos. Ele só queria ir embora.
Pensa em sua mulher. Ana. Ela esperava mais daquela vida de casados. Ele próprio esperava outro sentimento ao chegar em casa e olhar aquela pessoa a quem dedicava tanto amor. Não aquele que sentia hoje. Estava grávida e pensava no que seria da criança que estava prestes a sair de dentro dela. Comida achada depois de muito catar no meio do lixo? Às vezes pensava besteira. Mas ele só queria ir embora.
Nunca tinha ouvido uma música. Como seria? Como seria sentir nascer uma alegriazinha no fundo de seu coração ao escutar uma melodia doce? Queria saber como era tanta coisa. Queria viver. Queria poder passear de mãos dadas com Ana em um lugar bonito. Quem sabe a praia! A única visão que tinha do mar era aquela lá de cima. Do lixão. De seu local de trabalho. De sua casa. Sim, porque ele também mora ali. Ele só queria ir embora.
Ana observava o marido entre tanta coisa podre e sofria. Queria não chorar, mas algumas lágrimas insistiam em não se aguentar dentro dos olhos. Sabia o tanto que ele sofria. O tanto que sonhava. Queria compartilhar dos mesmos sonhos dele. Às vezes se irritava com as conversar ilusórias dele, mas no fundo queria ser igual. Se não podiam viver, ao menos ele podia imaginar. Sonhar. Viver tudo dentro da própria cabeça. Mas nem isso ela conseguia. A realidade a puxava de volta. Aquele cheiro a trazia de volta de um mundo do qual queria fazer parte. Dançar! Como ela queria saber o que é isso. Pegar na mão de Alberto, abraçá-lo e rodopiar os dois, juntos, por um grande salão em penumbra. Ela também só queria ir embora.
Ao acompanhar os passos do marido de longe, ela imaginou o filho pequeno, correndo sem roupa pelo meio de todo aquele lixo. Sentiu uma pontada de um desespero que não podia fazer nada para espantar. Porque daqui a poucos meses, aquilo poderia estar acontecendo. Ela só queria ir embora.
Sem que percebesse, Alberto chegou perto e a abraçou. Eles eram iguais. Estavam pensando nas mesmas mazelas. Compartilhavam todos os sofrimentos. Lágrimas unidas agora. Eles só queriam ir embora.

Larissa Fontes

quarta-feira, 6 de maio de 2009

O rapaz mais triste do mundo


É diferente. Uma vontade tímida de tomar o mundo na mão, de querer ser o que se é sem temer, de olhar a coisa mais simples e se emocionar com a sua beleza. Dar um sorriso aquela pessoa que passa com ar precisado, estender a mão a alguém que tropeça. Mas não. Palavras de quase amor eram trocadas. Coitado daquele rapaz. Escreveu num bilhete em letras garrafais e garranchadas: "Só queria que ela sentisse quando pensasse nela, tão com força, que vaze pro físico e chegue a doer. Respiro bem fundo por 4 segundos e tento desenhar aquele rosto no preto dos meus olhos fechados. Mão na mão, não dizendo nada. Sua luz irradia a minha e juntas podem formar uma que irradie dessa vez o mundo!".
Eu o via de longe, escrever em papeis e logo após amassá-los e jogá-los no lixo com uma cara de mais triste do mundo. Quando se levantou, foi andando pela rua com um andar de mais triste do mundo e eu não resisti. Fui lá e revirei o lixeiro. Enfiei tudo na bolsa e vim.
Hoje o encontrei num ônibus da cidade. Sentava com postura de mais triste do mundo. Sozinho. Sentei na sua frente e me dei de contemplar aquela criatura. O peito extravasado. Talvez a criatura mais triste do mundo. Olhava o chão, a janela, o teto do ônibus. Mas nunca pra mim.
Há muito tempo atrás. Hoje eu não reconheceria seu rosto. Mas seu olhar de mais triste do mundo sim. Li o rapaz mais triste do mundo. Era lindo!

L. Fontes
Escutando o Monólogo de Orfeu com a voz bêbadazinha do meu amado Vinícius. Êxtase!


P.s.: Ah!, vale ressaltar que o post passado foi do c..! Amei as várias opiniões, foi uma troca muito válida. Não vou continuar com a discussão porque sei que passaríamos toda uma vida e esse assunto ainda ia dar pano pra manga. Enfim.. Mas quem quiser ainda comentá-lo, sinta-se a vontade, é um laboratório contínuo, quem dirá eterno! Haha

segunda-feira, 27 de abril de 2009

A insustentável leveza do amor - O amor e suas catástrofes


Fiz uma oficina de leitura em cena na semana passada, cujo tema era A insustentável leveza do amor - Peças sobre o amor e suas catástrofes. Só peças sobre casais. Homem e mulher. Nenhum preconceito, mas eram peças escritas até o ano de 1996, então não se escrevia muito sobre homossexualidade nessa época. Enfim, o primeiro dia foi o que mais me cutucou. Sempre gostei de textos assim, já havia lido 'Eu sei que vou te amar' do Jabor mais de 4 vezes e qual não foi minha surpresa quando o Djalma Thürler, que estava ministrando a oficina, nos entregou o texto dessa peça pra trabalhar em cima dele. Intenso até dizer chega!
Começamos uma discussão sobre o amor simbiótico e as diversas formas de amar. Cada um apontava um caso que tivesse lido, visto num filme, ou até experiências próprias. A possessividade, o desespero, o sofrimento, os crimes passionais, etc. E assim fomos...
Num dado momento, perto do fim, o Djalma nos pediu que tentássemos lembrar uma música ou poema que falasse do amor como sinônimo de paz. O amor, não a pessoa amada. Até dissemos algumas, mas sempre percebíamos que sempre tinha uma pitada de dependência daquela pessoa, de desespero. O Djalme disse que está nessa busca há 8 anos e ainda não achou. Se souberem, me digam, porque fiquei curiosa.
Tô escrevendo isso aqui porque eu adoro quando vocês que me lêem comentam viajando no texto de verdade, e eu realmente queria saber o que vocês acham disso tudo. Qual a visão de vocês sobre o amor? Esse amor simbiótico. De dois. Contem seus casos, me digam se concordam com a visão desse amor perigoso, expressem suas opiniões, enfim.. Falem! Quero ver se isso dá certo.

Vou deixar uma provocação pra vocês pensarem nisso:

'O amor é que nem um submarino: até boia, mas foi feito pra afundar.'
(Trecho da peça 'Submarino' do Miguel Falabella)

Tipo um laboratório pessoal, haha
Beijo pra vocês,
Larissa



terça-feira, 21 de abril de 2009

Cheirinho de alecrim

.
Emburrava. Nessas horas até queria que fosse embora, mas de repente se colocava a gargalhar de alguma coisa que não sabia direito o quê. Então voltava a agonia só de pensar que podia mesmo ir. Love story. Deus-nos-acuda. My love. ‘Que foi my Love?’. Fique emburrado, chato, sóbrio, careta, introspectivo, o cacete; mas me deixe te deixar ir. De perto faz sentido. Uma noite e meia de rostos desconhecidos em espelhos de formas das mais loucas. Anyway, se me der vontade de te ver eu pego um trem, ponho um chapéu com flores na aba, um vestido esvoaçando transparência todo colorido e me dano nesse mundo atrás disso que deunatelha. O mundo já acabou, pega uma chícara com ch e toma café até virar uns dois dias seguidos pra me acompanhar nesse mundo porralouca que é o de quem escreve. Recebi a carta, mas não quis ler, só pra ficar na expectativa do simounão. Andei em ruas cheias de praças com famigerados transeuntes artistas intelectuais e alternativos. As suas bravatas arrebatam a minha paz por minutos. Energias quase nucleares que me arremessam por ares que não são meus. Sentei numa daquelas praças, umas cinco horas da tarde e tomei chá com meu chapéu de flores na aba e meu vestido esvoaçante colorido, tudo bem noir. Aquilo, quando a parte beijada queima de timidez ao beijo sem pretensão declarada. Pensamentos maquiavélicos. Primeiro um sonho. Cautela exagerada. Descuidado agora. Não é exatamente isso. A xícara agora com x caiu e se quebrou. Não soube onde botar mãos, olhos, nem pés. Cheirinho de alecrim. Doce. Baila, baila, baila. Há três anos que eu bailo, bailo, bailo. Um céu que precisa de olhares, porque se mostra de um laranja que é rosa que é roxo que é azul que é o pôr-do-sol. É aquela cor que eu quero. A que não existe. Não existe porque quando vejo já é outra cor e outra e outra. Já foi em Saigon? Eu não.
Eu gosto de saber que você existe. Quero escrever um poema. Tantos ui uis. Estou emburrada, chata, sóbria, careta, introspectiva, o cacete.

L. Fontes

Ao som de 'acabou de passar batom vermelho e pelo espelho me lançou um olhar sofrido' de Djavan e ainda na frequência de uma tarde inteira de Caio Fernando Abreu.

sexta-feira, 17 de abril de 2009

Carta a(d)o céu


"Só quero dizer que eu to pronta. Você pode vir. Pode trazer tudo que te faz você, tudo que é teu pra dentro de mim. Eu to pronta pra acreditar nas tuas bruxas, pra ouvir as suas teorias de como é preciso sofrer pra ter amor, pra te acompanhar no rock pesado e até comer a tua salada. Tirei aquela flor do cabelo e quis ser séria. Não consegui e a botei de novo. E continuei a escrever versinhos bobos em papeis coloridos que colam. Estava pintando um céu no teto do meu quarto. Descuidei do pincel e o deixei cair. Não quero um céu no teto do meu quarto. Isso é coisa de menina. Eu quero ser mulher. Mas já tentei e continuo com a flor no cabelo. Agora no meu quarto não tem mais um céu pintado. Não tem nuvens, como teria num quarto de uma menina. É todo azul. Da cor do céu. Eu pressinto um movimento seu que conheço bem. A manada do Rei Leão desata a correr por dentro de mim. Vou deitar todas essas palavras numa grama bem verdinha e vou pô-las pra dormir antes que se achem no direito de falar o que bem entenderem.

Sei que eu to pronta pra ouvir tua música, pra te levar pra sair, pra ficar na cama lendo uma peça do Nelson Rodrigues com você do lado lendo a minha Bravo! com o Caetano e o Chico na capa. Tô pronta. Pode vir. Vem...

Com toda o 'estar pronta', da sua.

F. (De ficção)"
L. Fontes


'Fiz uma chancion d'amour
Fiz um love song for you
Fiz una cancione per te
Para impressionar você...'
Arnaldo Antunes

quinta-feira, 16 de abril de 2009

Vai dar valsa


Queridos que me lêem, um amigo querido me convidou a colaborar com um blog recém-criado dele. Ele é um companheiro de longos devaneios em prosa e verso no msn (e também companheiro na paixão por Vinícius), então não poderia negar. Léo, isso só pode dar valsa. Hahaha

Me visitem lá também, vou ficar tão feliz quanto quando vejo cada comentáriozinho aqui! Sério.

Beijo!

http://vai-da-valsa.blogspot.com/


segunda-feira, 13 de abril de 2009

Corpo-de-menina-que-só-sabe-fazer-rima-boba


Foi há um tempo atrás. Se pegou pensando em frases soltas, que no final rimaram. 'Aquele corpo de menina que só sabe fazer rimas bobas'. Colocava tudo num papel sem nem pensar em nada. Dobrava, abria, relia, como se fosse uma carta mandada pra ela de muito, muito longe. De muita, muita saudade. Ouvia falar em saudade e queria aquilo. Querer saudade? Sim! Queria tudo o quanto podia. Continuava com as frases, aquelas rimadas. O que podia fazer com aquilo? Sentir era a melhor saída. E sentia cada vez mais forte, cada vez maior, cada vez mais se sentia dentro daquele corpo-de-menina-que-só-sabe-fazer-rimas-bobas. Vivia mais. Mais viva. Mais ela. Dando vida também. Seu amor nascia, tomava forma, vivia. Imaginava o tempo em que seria uma mulher, senhora de si e de seus sentimentos. Mulher-senhora-de-si-e-de-seus-sentimentos. Mas isso (se existisse, ser senhora de qualquer sentimento que fosse), seria num tempo mais pra frente. Por enquanto, continuava com suas rimas bobas. Orgulhosa delas.

Ao som de 'Canção pra você viver mais', do Pato Fu.

quarta-feira, 8 de abril de 2009

Cenas de um filme inglês


Sopro e suspiros. "Que" falado pronunciando o "u". Achocolatado com gosto de leite e chocolate separados. O caminho dos teus lábios. Dois canudos usados sem precisão. Janela recém aberta. O gelo já dá-se pra ver. Coração embrulhado e deixado numa porta. Uma aranha que desce da madeira pra ser esmagada. Uma xícara. Um navio. Uma casa sem cerveja. Beber sorrisos. Avulso. Música com uma batida gostosa. Vontade de que? Paraparaparaparaparapapa...

"Ao som de 'Cenas de um filme inglês', do Wado."

terça-feira, 31 de março de 2009

Quando são um só

Ele era calmo e doce. Levava uma vida pacata, sem grandes acontecimentos. Nada nunca o tirava do sério. Era de uma cor esverdeada, às vezes marrom. Tinha cabelos curtos, puxando pro marrom. Os que o acompanhavam eram queimados de sol, não ligavam pra roupas, nem futilidades, eram doces também, por convívio. O amavam, o tratavam bem e sabiam se deleitar dele. Ele, como agradecimento lhes dava alimento e até os levava aonde quisessem em uma viagem calma. Seu povo conversava com ele, contavam suas mazelas e ele ouvia atento, há até quem diga que ele dava ótimos conselhos e cantava uma cantiga balançada, feito água batendo em barco de pescador.

Ela era agitada e salgada. Sua vida era conturbada, enfrentava muitos conflitos internos, verdadeiras tempestades. Era azul, às vezes verde. Tinha uma longa cabeleira amarela, quase branca. Os que a acompanhavam, a temiam, respeitavam, embora a amassem também. Eram salpicados de sal, fortes e corajosos. Ela gostava deles, mas às vezes precisava ficar sozinha e queria se esconder. Só que não se dava conta de que era muito grande para isso, então ficava enfurecida e podia até fazer mal a quem chegasse perto. Não pensem que gostava disso, pelo contrário, se sentia desengonçada e mais enfurecida ficava, queria se conter, mas era muito grande pra isso também. Seu povo demorou a entender, mas hoje já conseguem e respeitam seu tempo. É sentimental como mulher que é mulher. Ama seus companheiros, lhes dá tudo o que pode. Em certos períodos abriga a quem necessitar de seu aconchego, seja por um curto tempo, seja por noites e noites a fio.

Eles viviam em lugares diferentes, embora próximos. Ele a viu pela primeira vez a muitos e muitos tempos atrás e assim permanecia, observando-a de longe, imaginando tudo que se possa sobre ela. No princípio, ela não o enxergou. Digamos que não se deu conta de que ele estava ali. Tinha a cabeça sempre cheia, sempre em seus conflitos internos, em suas vontades loucas de se esconder, por isso não o percebeu. Mas ele estava ali e podia esperar.

Em um dia de sol bonito, ela acordou depois de um sonho leve (ela às vezes tinha pesadelos terríveis!) e até assobiando. Ele estava lá como sempre, observando-a e não pode deixar de ouvir seu assobiar. Julgou esse um dia bom para se apresentar àquela moça que tanto achava bela.

Sorriu para ela e foi se chegando devagar. Ela apertou os olhos para se certificar de que aquele sorriso era para ela e sentiu um cheiro doce invadindo, então viu que ele se aproximava manso e sorridente.

- Me chamam de Rio. Apresentou-se, sentindo gosto e cheiro salgado.

- Eu sou Mar. Respondeu, acuada.

Ele falou sobre sua vida e seu povo. Ela lhe contou de lugares que já tinha visitado. E tinham tanta coisa diferente, mas tanta coisa em comum, que foi sem querer que tiveram que se separar naquele dia. Mas o destino já tinha se consumado, já tinha feito sua parte de ir dar uma cutucadinha nele para que saísse do silêncio e fosse até ela. Tinham sentido uma coisa nunca antes experimentada por nenhum, e por isso não sabiam reconhecer esse sentimento.

Só se sabe que depois disso, todos os dias a certa hora, ele estava nela e ela estava nele. Ele era ela e ela era ele. Em certa hora do dia, eles eram um só e se amavam. O Rio e o Mar.

Larissa Fontes

"O rio fica lá, a água é que correu
chega na maré, ele vira mar."
Little Joy

quarta-feira, 25 de março de 2009

Vamos ao Teatro!


Florípedes e Simeão em O Rapto das Cebolinhas


Não tinha posto aqui nadinha ainda do Rapto das Cebolinhas, pois tá aí então! Minha gata, Florípedes, numa cena com seu querido burrinho Simeão, feito pelo lindo Thiago Sampaio, que eu gosto tanto. Haehoiaeuhuiah (L)

E pessoas! Hoje começa a Mostra de Teatro do SESI, alí no Sesi Cultural na Pajuçara. Vai até o dia 29, com dois espetáculos por dia, um às 15 hrs e outro às 21 hrs. Hoje tem Insônia e Versos de um Lambe Sola. Ou seja, IMPERDÍVEL!

Vamos ao Teatro!

25/03
15h - Insônia - Cia da Meia Noite
21h - Versos de um Lambe Sola - Associação Teatral Joana Gajurú

26/03
15h - O Casamento da Filha do Retratista - Cia Fulanos e Sicranos
21h - Alice!? - Cia do Chapéu

27/03
15h - Caboré - A ópera da Moça Feia - Associação Teatral Nêga-Fulô
21h - O Mágico - Cia Ganymedes

28/03
15h- Zezilda em Ô Lurde, Mulé!? - Grupo Guerreiros do Teatro
21h - Como Nasce um Cabra da Peste - Cia Penedense de Teatro

29/03
21h - NEPAL - Teatro Fúria (MT)

Sério, isso tá imperdível!

terça-feira, 24 de março de 2009

Eu estava olhando as estrelas ontem e... elas não são lindas?