terça-feira, 21 de abril de 2009

Cheirinho de alecrim

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Emburrava. Nessas horas até queria que fosse embora, mas de repente se colocava a gargalhar de alguma coisa que não sabia direito o quê. Então voltava a agonia só de pensar que podia mesmo ir. Love story. Deus-nos-acuda. My love. ‘Que foi my Love?’. Fique emburrado, chato, sóbrio, careta, introspectivo, o cacete; mas me deixe te deixar ir. De perto faz sentido. Uma noite e meia de rostos desconhecidos em espelhos de formas das mais loucas. Anyway, se me der vontade de te ver eu pego um trem, ponho um chapéu com flores na aba, um vestido esvoaçando transparência todo colorido e me dano nesse mundo atrás disso que deunatelha. O mundo já acabou, pega uma chícara com ch e toma café até virar uns dois dias seguidos pra me acompanhar nesse mundo porralouca que é o de quem escreve. Recebi a carta, mas não quis ler, só pra ficar na expectativa do simounão. Andei em ruas cheias de praças com famigerados transeuntes artistas intelectuais e alternativos. As suas bravatas arrebatam a minha paz por minutos. Energias quase nucleares que me arremessam por ares que não são meus. Sentei numa daquelas praças, umas cinco horas da tarde e tomei chá com meu chapéu de flores na aba e meu vestido esvoaçante colorido, tudo bem noir. Aquilo, quando a parte beijada queima de timidez ao beijo sem pretensão declarada. Pensamentos maquiavélicos. Primeiro um sonho. Cautela exagerada. Descuidado agora. Não é exatamente isso. A xícara agora com x caiu e se quebrou. Não soube onde botar mãos, olhos, nem pés. Cheirinho de alecrim. Doce. Baila, baila, baila. Há três anos que eu bailo, bailo, bailo. Um céu que precisa de olhares, porque se mostra de um laranja que é rosa que é roxo que é azul que é o pôr-do-sol. É aquela cor que eu quero. A que não existe. Não existe porque quando vejo já é outra cor e outra e outra. Já foi em Saigon? Eu não.
Eu gosto de saber que você existe. Quero escrever um poema. Tantos ui uis. Estou emburrada, chata, sóbria, careta, introspectiva, o cacete.

L. Fontes

Ao som de 'acabou de passar batom vermelho e pelo espelho me lançou um olhar sofrido' de Djavan e ainda na frequência de uma tarde inteira de Caio Fernando Abreu.

21 comentários:

Leandro Moreira disse...

Tais foda heen?

Fabio Machado disse...

Tem dia que eu não sei o que comentar. Estava falando do teu diário pros meus pais paulistas ontem. Sim, porque eu também tenho pais cariocas. São quatro no total !
Mas ainda não sei o que comentar hoje... Eu pensei: Devo colocar minhas palavras no bolso e doar a calça ? Devo trancar meu diário a sete chaves e engolí-las para eu mesmo não acessá-lo ? Devo apenas lê-la, estático como um robô tentando humanizar-se ? Talvez, mas não sei o que comentar...
Não ! Não vou parar de escrever, mas vou sempre te ler e tentar descobrir o que comentar ! Afinal, adoro peixe com alecrim, adoro chapéu e acima de tudo, AMO mulheres de vestido, especialmente os longos embaixo, desafiadores em cima e provocantes, muito provocantes.
Um minuto... vou ali, volto já, vou beber chá de maracujá. Em xícara enorme pra ver se acalmo e aprendo a comentar.
Mas chega de viajar... voltei ! Não dá mais, me entreguei ! Não consigo comentar, vou apenas te admirar...

Fica bem, senhorita !

Beijos.

P.S. Esse vai pro meu diário, é claro ! Seus textos inspiram esse mero mortal a escrever meras babozelas. Obrigado !

Ricardo Rodrigues disse...

me deu vontade de vestir sobretudo e chapéu côco, e nada além disso. rolar passos trôpegos e desclaços por ruas que não conheço. desabaladamente. e quando meus pulmões parecem queimar, explodir, eu vejo ao longe o chapéu e o vestido. mas não consigo me aproximar. desmaio com o papel na mão. deve ter começado a chover.

Renata Caldeira disse...

Adorei seus textos Larissa, você escreve muito bem! Parabéns, já virei seguidora! =)

Beijo!!

Raquel Oliveira disse...

Acho que realmente paro e grite, deixo solto, perdido, sem sentido... Enfim do outro lado...
Amei....
Bjos

Tamires . disse...

Baila, baila, baila.

Eu bailei aqui, e me fico do lado de dentro. te contemplando. Porque fiocu bonito demais. E eu senti o cheirinho daqui.

Um beijo bem gde!
Ps: Obrigada pela visita! Porta sempre aberta pra vc, nem precisa bater! E aqui, volatrei, sem sombra de duvidas.

Beijos!

Salve Jorge disse...

Baila
Vai lá
Que cá
Já dança
Mansa
Só o que há
E o alecrim
Que tenho pra mim
Só é cheiroso assim
Por crescer no teu jardim
De passos
De traços
Dos pés descalços
Que bailam
E embalam
Emudece os que falam
Teorema
Nos humores
Do teu poema...

meus instantes e momentos disse...

bom como sempre. Ótimo teu blog.
Maurizio

Marcus Vinicius disse...

Com textos assim é que vejo que eu, pobre mortal, não escrevo nada!!!!
rsrs

bjs meus

Helena C de Araujo disse...

E tem horas assim!
Mas você as diz de um jeito que elas chegam a ficar boas!
A gente lê. E lê de novo porque gostou. E muito!!
Beijão!!

. disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Manuela disse...

Menina! Você escreve Muito!
PARABÉNS! Seu blog é um vicio para os admiradores da boa leitura! ;)

Manuela disse...

Menina! Você escreve Muito!
PARABÉNS! Seu blog é um vicio para os admiradores da boa leitura! ;)

Anônimo disse...

Posso falar o que quiser. Não tenho censura. Senão não andaria na noite escura da arte, pelo cafés, pelos lugares que nas manhãs são caminhos ignorados. Nesses pontos de encontro que vou no faro, eu te encontro. Estarias ensandecida e com luzes nos olhos e eu sorriria uma realidade ainda mais selvagem, de tão limpa. Poderia durar um segundo, mas revelaria tudo que um olhar é capaz. O que você veste é silencio. Para. E quando irrompe uma letra caída da sua borda, desembaraço depois de lembrar. Que eu nunca vi ninguém se vestir de fogo, além do sol. Penso.

Tati disse...

Adorava, adorooo e mais do que nunca vou adorar os seus textos,são bem flexisiveis! sempre adorei o seu modo de ver as coisas, de um ponto de vista bem dinãmico e sincero!


Beiijos linda *-*

Marina disse...

O 'cheirinho de alecrim' me lembrou a música de Chico, Tanto Mar. Belo texto.

Beijos.

EXAGERADO disse...

Oi,linda

Incrivelmente lindo,Larissa..

Cheirinho de alecrim para vc!!

Beijos

Thiago Assis disse...

obrigado pela visita ao meu blog ^^

não coloquei os exames trocados pq naquilo q escrevo prefiro me prender aos sentimentos do que aos fatos propriamente ditos (acho que deu pra entender ^^)


www.thiagogaru.blogspot.com

Flor disse...

Caio é tão... Caio. Que às vezes me dói!

Tô pensando até agora... Eu devia ter aceitado o convite daquele andarilho na feira-hippie e ido embora com ele. Ele estava com tanta vontade de me ter, de me levar, que demorou a soltar minha mão. Era um sábado chuvoso, eu queria tanto ir com ele... Eu devia ter ido mesmo.

Beijo Grande.

Ariane Sapucaia disse...

"Aquilo, quando a parte beijada queima de timidez ao beijo sem pretensão declarada."

PERFEITO.

Melqyahd disse...

Belíssimo, Larissa. Tens um modo peculiar de escrever, o teu estilo próprio. Gosto muito!


Bj.O



Melqyahd.